quinta-feira, março 18, 2010

Os traços da escrita, por vezes, se mostram falhos: incapazes de expressar o que se quer.
O que se sente, nem traço tem pra expressar e, por vezes, nem pra se sentir...
Engraçado é ver o traço da tinta pender como uma gangorra, em altos e baixo, vivos e mortos traços...
Rs.. Mas em traços e tintas, não cabem as cores, os sabores nem das lágrimas, nem dos risos...

terça-feira, setembro 08, 2009






De ponta cabeça, sinto a terra úmida sob meus pés...

Anuviada, minha visão é nítida:

vê meus sentidos equilibrarem-se sobre o picadeiro,

dançarem com as cordas

e penderem firmes, como se a certeza fosse apenas uma miragem...



Vai Saber?

Adriana Calcanhotto

Não vá pensando que determinou

Sobre o que só o amor pode saber

Só porque disse que não me quer

Não quer dizer que não vá querer

Pois tudo o que se sabe do amor

É que ele gosta muito de mudar

E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar

Não quer dizer que não tenha do que duvidar

Pensando bem, pode mesmo

Chegar a se arrepender

E pode ser então que seja tarde demais

Vai saber?

Não vá pensando que determinou

Sobre o que só o amor pode saber

Só porque disse que não me quer

Não quer dizer que não vá querer

Pois tudo o que se sabe do amor

É que ele gosta muito de se dar

E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr

Só porque disse que de mim não pode gostar

Não quer dizer que não tenha o que considerar

Pensando bem, pode mesmo

Chegar a se arrepender

E pode ser então que seja tarde demais

Vai saber?

Vai saber?

Vai saber?

Não vá pensando que determinou

Sobre o que só o amor pode saber

Só porque disse que não me quer

Não quer dizer que não vá querer

Pois tudo o que se sabe do amor

É que ele gosta muito de jogar

E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar

Não quer dizer que não venha a reconsiderar

Pensando bem, pode mesmo

Chegar a se arrepender

E pode ser então que seja tarde demais...

Música de Adriana, pintura de Miró (Os Poetas).


Impresso

8 de setembro de 2009



Entre as margens, a tinta se arrisca. Quer impressionar e se pergunta a quem.

Quem entre margens tão estreitas perder-se-ia?

Quem arriscar-se-ia por mundo tão opaco e sem cor?

As regras do papel afrontam a tinta, presa às linhas, perde-se no querer expressar...

O que se expressa? O que é expresso?

As cores do lado de fora não importam,

aqui, onde resta silêncio, "introspecto" e o expresso

é marca que não se publica, implícita, impresso.

Aqui onde não há cores, a porta continua aberta...

terça-feira, agosto 11, 2009

A textura do papel
folha por folha
envoltas pelo aroma do café,
anelando meus dedos e idéias,
a imagem da noite adensando-se
em sensações, múltiplas
e irrespondíveis com o simples riscar da grafite,
rabiscos de sonhos, riscos, desejos...
de pele morna ao lado, no hálito fresco da manha
uma concordância singular,
quando tudo que se pede é plural
De quem é a silueta que se desenha
sob os lençóis?

Suffering

Jay Jay Johanson

Autumn is here inside my heart
When there's springtime in the air
Loneliness is tearing me apart
Being lost makes me scared
I keep on asking the gods above to send my love back to me
Oh please let these days and weeks
Pass by so quickly
Nobody suffers like I do
Nobody else, oh no
Nobody suffers like I do
Nobody else but you
You had to leave, I know
And we knew it would be tough
You said you would be back soon
Soon is not soon enough
Through this waiting in vain
All this darkness and pain
I've been crying for you, now I'm dying
When this test is at the end
I hope you'll understand
That you're all that I've got
Oh darling

segunda-feira, julho 27, 2009

Relato, Retrato, Re-trato
27/07/2009

Pus um disco a tocar hoje, como há muito não faço... A trilha? Não poderia ser outra: Los Hermanos. Pensei até em postar uma música deles aqui, pensei em O Velho e o Moço, na verdade, queria reescrevê-la ou escrevê-la, queria ter eu a escrito... Afinal, eu “vejo tudo assim, e não me importo em ver a idade em mim”; ou será a vaidade?
A idade e a vaidade têm me pregado peças muito maiores que a simples rima: aquela pesa mais que as mãos de uma criança, pois é puro o tempo de depuração, “tempo em que não se diz mais: meu amor, porque o amor restou inútil”; esta é minha marca, a vaidade é minha inócua e iníqua veleidade – mar aberto por onde navego, velejo, velo e naufrago.
Tenho andando mesmo distraído, impaciente e indeciso e tanta coisa desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada ninguém – outra letra que aqui cabe bem, e mais uma vez nada de original...
Tenho andando vago. Vago e cheio de minha própria vaguidão (se me permitem o neologismo). As linhas que escrevo correm um curso que não controlo, tentam desenhar, como agora, um estado, incongruente, indelimitável, insípido, inodoro... A tarefa é árdua e quase sempre resulta falha: a pré-ocupação, com os pontos e vírgulas, não me deixam ocupar de mim mesmo e vago eu fico cheio de minha vaguidão.
Talvez as vírgulas e os pontos não sejam tão importantes, mas, por enquanto, é neles que me sustento, por ora, a eles me ato, neste e em todos os outros atos.
* O mar em Saintes Maries de la Mer -Van Gogh