quarta-feira, março 31, 2010

(Re) Volto-me e ao meu ato à revolta... ao grito mudo, nódulo na garganta, preso no vibrar das cordas que nos atam a nos e a todos os atos, que não sejam os vis,pois que os vis são todos livres, soltos pelo nosso silêncio.

É o fato de não se ocupar o espaço que deixa o espaço livre.

Enquanto não gritarmos não haverá silêncio, mas coação. E pacatos morreremos sem luta!

segunda-feira, março 29, 2010

Eu gosto é do gosto do Gozo! (30/01/2005)
Digo


Não prefiro ser essa metamorfose ambulante,
mas nada é pior que aceitar
essa velha opinião formada sobre tudo,
ainda assim, não queria ser essa metamorfose ambulante...
prefiro não aceitar a maré
e não ser uma colcha de retalhos:
não sou um boneco de pano
nas mãos de um ventríloco,
não vivo num palco
e, no picadeiro da etiqueta, troco os talheres,
não sou pano, sou carne
embora desengonçada, desconcertada,
desconstruída, desencontrada carne,
couro e couraça
e que não se tome escudo por máscara.
Eu não sou uma metamorfose ambulante,
não sou as pessoas na sala de jantar,
não sou velho nem novo: não deixo tudo assim...
não conheço a verdade, mas meu corpo não é de criança nem de poeta,
vou andando contra o vento,
não tenho lenço ou documento,
sinceramente - não sou daqui-
preciso de dinheiro, de amigos de oxigênio, quero mais carinho:
eu também gosto de meninos e meninas,
o tempo também pára e os ratos não fazem parte de nenhum show
como também os espelhos o cheiro das mangas e os raios
– meu quintal não tem muros –
curto sexo, a TV é uma droga e pra falar a verdade prefiro o Ylê...
não sou a metamorfose, burlo a opinião,
prefiro gozar quando me convém!

Mr. Intentional

Lauryn Hill

Mr. Intentional

Yeah...Yeah...Yeah...Yeah... You see the road to hell is paved with good intentions
Can't you tell the way they have to mention
How they helped you out, you're such a hopeless victim
Please don't do me any favors, Mr. Intentional.

All their talk is seasoned to perfection
The road they walk commanding your affection
They need to be needed, deceived by motivation, an opportunity to further situation
Why they're so important is without explanation
Please don't patronize me, Mr. Intentional... Oh...

We give rise to ego, by being insecure
The advice that we go desperately searching for
the subconscious effort to support our paramour
Too engaged in denial, to admit we're immature
Validating lies, Mr. Intentional... Oh...

Open up your eyes, Mr. Intentional...

Stuck in a system that seeks to suck your blood
Held emotionally hostage by what everybody does
Counting all the money that you give them just because
Exploiting ignorance in the name of love
Stop before you drop because that's just the way it was
Please don't justify me, Mr. Intentional
So one-dimensional, Mr. Intentional

Don't you do me any favors

Wake up you've been sleeping, take up your bed and walk
Stop blaming other people, it's nobody else's fault
Accept the truth about you
You know that life goes on without you and Your expensive misinventions, disguising your intentions
Don't worship my hurt feelings, Mr. Intentional

See I know you can't help me, Mr. Intentional
The only help I need to live is unprofessional
The only wealth I have to give is not material
And if you need much more than that - I'm not available

Please don't entertain me, Mr. Intentional
I don't need your sympathy, Mr. Intentional
Stay away from me, Mr. Intentional
So one-dimensional, Mr. Promotional, Mr. Emotional, Mr. Intentional...

quinta-feira, março 18, 2010

Os traços da escrita, por vezes, se mostram falhos: incapazes de expressar o que se quer.
O que se sente, nem traço tem pra expressar e, por vezes, nem pra se sentir...
Engraçado é ver o traço da tinta pender como uma gangorra, em altos e baixo, vivos e mortos traços...
Rs.. Mas em traços e tintas, não cabem as cores, os sabores nem das lágrimas, nem dos risos...

terça-feira, setembro 08, 2009






De ponta cabeça, sinto a terra úmida sob meus pés...

Anuviada, minha visão é nítida:

vê meus sentidos equilibrarem-se sobre o picadeiro,

dançarem com as cordas

e penderem firmes, como se a certeza fosse apenas uma miragem...



Vai Saber?

Adriana Calcanhotto

Não vá pensando que determinou

Sobre o que só o amor pode saber

Só porque disse que não me quer

Não quer dizer que não vá querer

Pois tudo o que se sabe do amor

É que ele gosta muito de mudar

E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar

Não quer dizer que não tenha do que duvidar

Pensando bem, pode mesmo

Chegar a se arrepender

E pode ser então que seja tarde demais

Vai saber?

Não vá pensando que determinou

Sobre o que só o amor pode saber

Só porque disse que não me quer

Não quer dizer que não vá querer

Pois tudo o que se sabe do amor

É que ele gosta muito de se dar

E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr

Só porque disse que de mim não pode gostar

Não quer dizer que não tenha o que considerar

Pensando bem, pode mesmo

Chegar a se arrepender

E pode ser então que seja tarde demais

Vai saber?

Vai saber?

Vai saber?

Não vá pensando que determinou

Sobre o que só o amor pode saber

Só porque disse que não me quer

Não quer dizer que não vá querer

Pois tudo o que se sabe do amor

É que ele gosta muito de jogar

E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar

Não quer dizer que não venha a reconsiderar

Pensando bem, pode mesmo

Chegar a se arrepender

E pode ser então que seja tarde demais...

Música de Adriana, pintura de Miró (Os Poetas).


Impresso

8 de setembro de 2009



Entre as margens, a tinta se arrisca. Quer impressionar e se pergunta a quem.

Quem entre margens tão estreitas perder-se-ia?

Quem arriscar-se-ia por mundo tão opaco e sem cor?

As regras do papel afrontam a tinta, presa às linhas, perde-se no querer expressar...

O que se expressa? O que é expresso?

As cores do lado de fora não importam,

aqui, onde resta silêncio, "introspecto" e o expresso

é marca que não se publica, implícita, impresso.

Aqui onde não há cores, a porta continua aberta...