terça-feira, agosto 11, 2009
folha por folha
envoltas pelo aroma do café,
anelando meus dedos e idéias,
a imagem da noite adensando-se
em sensações, múltiplas
e irrespondíveis com o simples riscar da grafite,
rabiscos de sonhos, riscos, desejos...
de pele morna ao lado, no hálito fresco da manha
uma concordância singular,
quando tudo que se pede é plural
De quem é a silueta que se desenha
sob os lençóis?
Suffering
Jay Jay Johanson
Autumn is here inside my heart
When there's springtime in the air
Loneliness is tearing me apart
Being lost makes me scared
I keep on asking the gods above to send my love back to me
Oh please let these days and weeks
Pass by so quickly
Nobody suffers like I do
Nobody else, oh no
Nobody suffers like I do
Nobody else but you
You had to leave, I know
And we knew it would be tough
You said you would be back soon
Soon is not soon enough
Through this waiting in vain
All this darkness and pain
I've been crying for you, now I'm dying
When this test is at the end
I hope you'll understand
That you're all that I've got
Oh darling
segunda-feira, julho 27, 2009
27/07/2009

Pus um disco a tocar hoje, como há muito não faço... A trilha? Não poderia ser outra: Los Hermanos. Pensei até em postar uma música deles aqui, pensei em O Velho e o Moço, na verdade, queria reescrevê-la ou escrevê-la, queria ter eu a escrito... Afinal, eu “vejo tudo assim, e não me importo em ver a idade em mim”; ou será a vaidade?
A idade e a vaidade têm me pregado peças muito maiores que a simples rima: aquela pesa mais que as mãos de uma criança, pois é puro o tempo de depuração, “tempo em que não se diz mais: meu amor, porque o amor restou inútil”; esta é minha marca, a vaidade é minha inócua e iníqua veleidade – mar aberto por onde navego, velejo, velo e naufrago.
Tenho andando mesmo distraído, impaciente e indeciso e tanta coisa desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada ninguém – outra letra que aqui cabe bem, e mais uma vez nada de original...
Tenho andando vago. Vago e cheio de minha própria vaguidão (se me permitem o neologismo). As linhas que escrevo correm um curso que não controlo, tentam desenhar, como agora, um estado, incongruente, indelimitável, insípido, inodoro... A tarefa é árdua e quase sempre resulta falha: a pré-ocupação, com os pontos e vírgulas, não me deixam ocupar de mim mesmo e vago eu fico cheio de minha vaguidão.
Talvez as vírgulas e os pontos não sejam tão importantes, mas, por enquanto, é neles que me sustento, por ora, a eles me ato, neste e em todos os outros atos.
terça-feira, maio 12, 2009
“Metalinguagem. [De met(a)- + linguagem.] S.f. 1 Semiol. A linguagem utilizada para descrever outra linguagem ou qualquer sistema de significação: todo discurso acerca de uma língua, como as definições dos dicionários, as regras gramaticais, etc. Ex.: Chover é um verbo defectivo. [Cf. função metalingüística.] 2. P. ext. linguagem mediante a qual o crítico investiga as relações e estruturas presentes na obra literária.” – FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa. Nova Fronteira. Rio de Janeiro. 1986.
No exercício do Ato, volto-me à metalinguagem. “Eu, tantas vezes reles (...) tantas vezes vil”, revolvi titubear. Volto-me, por ora, e comigo a minha escrita, a tratar sobre outras escritas, outras impressões, expressões, tentações e atos, aos quais me ato por diversos elos, como a rede de conexões já por outrem tratada e que agora me insiro e, em momentos, voltarei a tratar. Não me arvoro pretensão alguma, sendo esta pretensa humildade já em si mesma o paradoxo em que me alicerço. Será a base semântica de tudo que virá pelas linhas seguintes, isso se a tinta dos pensamentos não for escassa ao tentar adensar o papel da vida.
Em momentos diversos me olho pelos olhares alheios, perpassando a mente na panela pressionada pelos seus próprios pensamentos até o olhar: a saída do pensamento verbalizado para a descrição do que é apenas sensível e talvez tátil – embora para aqueles que se apresente por vezes não seja(ou se faça) tátil por sensível.
O mesmo se passa no metaPhàrmakon, onde por outras linhas se expressa e se pondera a rede de conexões representativas de uns os que imprimem e os que impressionados exprimem suas próprias marcas e aquelas por outrem deixadas. Para além do fármaco (remédio, cosmético ou veneno) já em Fredo se usava da metalinguagem para dizer que a escrita é o Phàrmakon da língua falada, aquela sinuosa, insinuante, tenra e esguia nos diversos significados que a ela se quer dar, pode ser um remédio – e talvez, aqui, seja a cura, sim, pelas palavras – pode ser um cosmético (e, assim, seria uma mera forma por qual se trabalharia a estética do que se quer passar, comunicar) ou talvez um veneno (e, aqui, dela se extraia nem o que se escreve, nem o que se lê, mas tão só o que se quer e interessa). Certo? Errado? Significado não há, nem quem sequer possa julgar.
De outro lado há Todas as Luas, envoltas em contos feitos sobre elas mesmas, com efeitos que delas se despregam se animam, embora anímicas sejam por vezes suas inspirações. Mas, aqui, “cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é” e embora essa certeza vã seja meramente uma válvula de escape é fortaleza suficiente ao equilibrista que nela se sustenta.
Na mesma linha segue a biblioteca de sonhos e máscaras, cujo no nome revela o sentido de seus próprios retalhos, alinhavados na busca de encontrar-se a si mesmo dentre e frente aos outros: por vezes os acuados gritam!
Em outro ponto – e agora vejo que começo a me perder – um portfólio (o raficfólio) embora nada técnico em sua descrição, faz das demonstrações entre suas escolhas, um meio de dar asas à sua paixão, assim como também é feito em pensar cinema, o que se passa não é o mero informe, mas o dedilhar do que se sente...
E são diversas as sensações e o que se revela quando se menos espera: em Mô Blog o riso muitas vezes escudo desfaz-se por completo e se revela o singelo de uma liberdade procurada nos braços de outrem.
Em todas as sensações e impressões – e expressões – ainda que em sentidos diversos à para além da rede de conexões o seu próprio substrato, o saber-se doce e aconchegado ainda que o aconchego não seja o esperado.
Insiro o ato e seu exercício – mais uma vez citando o menino do Fabuloso Destino –, principalmente este exercício (e aqui está o sentido semântico que me impus nesta metalinguagem), também como máscara do sentir que é fato, posto pelo pensar que é ato e, ainda mais, é phàrmakon – veneno – não só porque só a mim interessa, mas porque é além de tudo um petitório que dos pedidos não sei expressar senão pelas vírgulas de minhas vontades, principalmente este exercício, esta metalinguagem que é auto-retrato, pincelado através das imagens alheias...
domingo, maio 03, 2009
sábado, maio 02, 2009
Digo Araponga (2/5/2009)
Peças em jogo, cartas à mesa
Tento encontrar formas,
vejo um mundo amorfo
enquanto tudo é rijo
não há casas, nem naipes
espero de todos a próxima jogada
mais e mais uma rodada
não há pra mim qualquer parada
cartas na mesa, strike, bola oito na caçapa
não há pontos a marcar
zero a zero é o placar
e essa é só mais uma carapaça
rodada a rodada tudo passa
para, repassa, se passam
passos e horas
ainda espero de todos a jogada
não é mais minha vez
espero, espero, (des) espero!
sábado, janeiro 19, 2008
... não há nada. A fome é algo que não há. Há motivos para se afirmar isso, mas prefiro ficar com Clarisse quando diz “pensar é um ato, sentir é um fato”. Assim, o que será o perceber, um ato ou um fato? Sem fome, nem o perceber será!